Quando o Adolescente Parece Perdido:
Um Guia Acolhedor para Pais e Responsáveis

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Por: Andriano Martins

adolescência

Introdução

A adolescência é uma fase de intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Para muitos jovens, esse período vem acompanhado de dúvidas sobre quem são, onde pertencem e como lidar com expectativas próprias e alheias. Quando pais e responsáveis percebem sinais como baixa autoestima, falta de iniciativa, ansiedade, mudanças frequentes de humor, conflitos familiares e uma tendência a se deixar manipular, é natural que surjam preocupação e insegurança sobre como ajudar. Este artigo tem como objetivo oferecer informações claras, empáticas e baseadas em evidências para apoiar famílias nesse momento delicado, reforçando que dificuldades emocionais na adolescência são comuns e, sobretudo, tratáveis.

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Por que isso acontece? Fatores que influenciam o bem-estar do adolescente.

Desenvolvimento emocional e identidade

Durante a adolescência, ocorre a tarefa central de construção da identidade, descrita por Erik Erikson como o conflito entre identidade versus confusão de papéis (Erikson, 1968). O jovem experimenta valores, crenças e pertencimentos, o que pode gerar insegurança, medo de errar e oscilação emocional. A autoestima pode ficar fragilizada quando o adolescente ainda não se sente seguro sobre quem é ou teme não corresponder às expectativas.

Ansiedade, depressão e regulação emocional

Mudanças hormonais e neurológicas afetam a regulação das emoções, tornando reações mais intensas e impulsivas (Steinberg, 2014). A ansiedade pode se manifestar como preocupação excessiva, evitação, irritabilidade e dificuldades de concentração. Em alguns casos, sintomas depressivos — como desânimo persistente, perda de interesse e sensação de inadequação — contribuem para a baixa iniciativa e o retraimento social (American Psychiatric Association, 2022).

Dinâmica familiar e conflitos

O ambiente familiar exerce papel central no desenvolvimento emocional. Conflitos frequentes, comunicação pouco empática, expectativas rígidas ou inconsistentes e mudanças importantes (separações, luto, dificuldades financeiras) podem aumentar a vulnerabilidade emocional do adolescente. A teoria do apego destaca que relações seguras favorecem autonomia e autoestima, enquanto vínculos inseguros podem intensificar medo de rejeição e dependência emocional (Bowlby, 1988).

Pressão social, pares e redes sociais

A necessidade de aceitação pelos pares é particularmente intensa nessa fase. Comparações constantes, bullying, exclusão social e a busca por validação nas redes sociais podem afetar a autoimagem e ampliar a ansiedade. Estudos indicam associação entre uso excessivo de redes sociais e sintomas de ansiedade, depressão e baixa autoestima, especialmente quando há comparação social negativa (Twenge et al., 2018).

Tendência à manipulação e dificuldade de limites

Adolescentes com autoestima fragilizada e medo de rejeição podem ter maior dificuldade em dizer “não” e estabelecer limites, tornando-se mais suscetíveis à influência de terceiros. A falta de confiança nas próprias decisões e o desejo de pertencimento podem levar a escolhas que não refletem seus valores ou interesses.

Impactos no comportamento, autonomia e saúde mental

Essas dificuldades podem repercutir em diferentes áreas da vida do adolescente. No comportamento, podem surgir procrastinação, isolamento, explosões emocionais ou submissão excessiva. Na autonomia, observa-se dificuldade para tomar decisões, iniciar tarefas e assumir responsabilidades de forma gradual. Na saúde mental, a manutenção desses padrões aumenta o risco de agravamento da ansiedade e de sintomas depressivos, além de prejuízos acadêmicos e sociais (WHO, 2021).

É importante destacar que tais sinais não definem o adolescente, nem representam “falta de esforço” ou “fraqueza”. Eles indicam sofrimento e a necessidade de suporte adequado.

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O que os pais podem fazer? Recomendações práticas

Comunicação aberta e empática

  • Escuta ativa: ouvir sem interromper, minimizar ou julgar. Validar sentimentos não significa concordar com tudo, mas reconhecer a experiência emocional do jovem.
  • Perguntas abertas: incentivar o diálogo com perguntas que convidem à reflexão, em vez de acusações.

Acolhimento emocional

  • Nomear emoções: ajudar o adolescente a identificar e dar nome ao que sente favorece a autorregulação emocional.
  • Normalizar dificuldades: reforçar que sentir-se confuso ou inseguro faz parte do crescimento pode reduzir a autocrítica.

Limites claros e consistentes

  • Limites como cuidado: regras claras e previsíveis transmitem segurança. Limites devem ser explicados e ajustados à idade, promovendo autonomia progressiva.
  • Coerência entre cuidadores: alinhar expectativas reduz conflitos e mensagens contraditórias.

Estímulo à autonomia e à iniciativa

  • Metas pequenas e realistas: apoiar o adolescente a dividir tarefas em passos alcançáveis.
  • Reconhecer esforços: valorizar tentativas e progressos, não apenas resultados.

Uso saudável de tecnologia

  • Acordos familiares: estabelecer combinados sobre tempo de tela e conteúdos.
  • Modelagem: adultos também devem refletir sobre seus próprios hábitos digitais.

Quando buscar ajuda profissional

Se os sinais persistirem, se intensificarem ou interferirem significativamente no funcionamento diário (escola, sono, relações), é recomendável buscar avaliação profissional. Psicólogos e neuropsicólogos podem oferecer acompanhamento individualizado, auxiliando na compreensão emocional, no fortalecimento da autoestima e no desenvolvimento de habilidades de enfrentamento.

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A importância do acompanhamento psicológico e neuropsicológico

O acompanhamento psicológico proporciona um espaço seguro para o adolescente expressar emoções, construir identidade e desenvolver estratégias para lidar com ansiedade e relações interpessoais. A avaliação neuropsicológica, quando indicada, contribui para compreender aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais, orientando intervenções mais precisas (Lezak et al., 2012). O envolvimento da família no processo terapêutico potencializa os resultados e promove mudanças sustentáveis.

Conclusão

Cuidar de um adolescente que enfrenta baixa autoestima, ansiedade e dificuldades de iniciativa exige paciência, informação e empatia. Pais e responsáveis não precisam ter todas as respostas, mas podem oferecer presença, escuta e limites amorosos. Reconhecer sinais de sofrimento e buscar apoio quando necessário é um ato de cuidado e responsabilidade. Com suporte adequado, os adolescentes podem fortalecer sua autoestima, desenvolver autonomia e construir trajetórias mais saudáveis.

Referências Bibliográficas

– American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.). APA Publishing.

– Bowlby, J. (1988). A secure base: Parent-child attachment and healthy human development. Basic Books.

– Erikson, E. H. (1968). Identity: Youth and crisis. W. W. Norton & Company.

– Lezak, M. D., Howieson, D. B., Bigler, E. D., & Tranel, D. (2012). Neuropsychological assessment (5th ed.). Oxford University Press.

– Steinberg, L. (2014). Age of opportunity: Lessons from the new science of adolescence. Houghton Mifflin Harcourt.

– Twenge, J. M., Joiner, T. E., Rogers, M. L., & Martin, G. N. (2018). Increases in depressive symptoms, suicide-related outcomes, and suicide rates among U.S. adolescents after 2010 and links to increased new media screen time. Clinical Psychological Science, 6(1), 3–17.

– World Health Organization. (2021). Adolescent mental health. WHO.

“Cuidar da saúde mental na adolescência é investir em um adulto mais seguro, saudável e consciente.”

Psicólogo Ilha do Governador

Autor:
Andriano Martins
CRP:05/55017

Especialista em Neuropsicologia e Psicoterapia Clínica.

Psicólogo Ilha do Governador - Terapia e Aconselhamento